Os programas de humanidades ante as agendas educativas supranacionais
Resumo
Neste artigo apresentam-se chaves contextuais para entender quem são os novos atores do âmbito educativo no ensino superior e se expõem algumas das crises sistêmicas às que se enfrentam os programas de humanidades. Para isto se citam fontes críticas em temas de globalização e política educativa, bem como acordos internacionais assinados entre governos e instituições de diferentes países. No contexto de comercialização da educação e das possíveis estratégias de ensino e os modos artísticos não canónicos, se examina a relevância da poesia experimental como objeto de estudo nas humanidades. Pretende-se oferecer aqui um espaço de reflexão ante os rumos atuais das políticas educativas supranacionais que fomentam a comercialização do ensino e se afastam do conceito tradicional de cultura. As linhas argumentais partem do contexto dos estudos culturais para focar-se nos, cada vez mais populares, estudos globais, eixo paradigmático que condiciona na atualidade o devir dos estudos das humanidades e muda o conceito tradicional das artes liberais. A localização das humanidades dentro do contexto dos estudos globais gera um distanciamento ideológico e múltiplas crises na educação com respeito aos referentes e aos valores tradicionais. O artigo destaca o caso de artes marginais, a escrita experimental, enquanto objeto de estudo deste novo modus operandi. Além do mais, propõem-se algumas estratégias educativas e aprofunda-se o estado atual da educação das humanidades.